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"Um Gaucho que tem o Rio Grande do Sul no coração e o Brasil no nome".

15 de nov de 2010

Porque as pessoas falam errado?


O preconceito lingüístico é baseado na idéia de que só o que você aprendeu na escola e o que está no dicionário são de fato o português correto. Qualquer ocorrência que questione essa idéia será vista e tratada como “grosseria”, “ignorância” e “burrice”, podendo muitas vezes até servir de chacota para alguns.
Os preconceituosos mal sabem que pronunciar o R ao invés do L, por exemplo, “Cráudia”, pode não se tratar de um erro, e sim, de um fenômeno fonético que contribuiu para a formação da própria língua portuguesa padrão.
Isso por que muitas palavras do português-padrão eram escritas com R, onde nitidamente deveria ser um L, por exemplo, a palavra cravo era clavu, prata era plata. E nem por isso Luís de Camões, que escreveu ingrês, frauta, frecha em suas obras, e toda a população que acompanhou a formação da língua portuguesa eram considerados possuidores de um “atraso mental”.
Existem casos em que a dificuldade de produzir encontros consonantais trata-se de problemas físicos e podem ser resolvidos com terapia fonoaudiológica, mas o caso aqui é de pessoas cujo sistema fonético não possui encontro consonantal com L. Esse problema deve ser encarado na escola com consciência de que se trata de um aspecto fonético “estrangeiro” e não erro de pronuncia, assim como que para alguns é muito difícil pronunciar certos sons em inglês.
As diferentes maneiras de pronunciar determinados sons podem ser explicadas através do fenômeno fonético palatalização. Um exemplo deste fenômeno é pronunciar a consoante T como (ts) toda vez que é seguida de (i). Para muitos é absolutamente normal ver um carioca pronunciar a palavra titia com um chiado (tsitsia), mas quando se trata de um nordestino que fala oytsu ao invés de oito, se acha “ridículo” e até mesmo “engraçado” embora seja o mesmo fenômeno.
O que é realmente ridículo é a maneira como essas diferenças são tratadas, pois não se trata da língua simplesmente, mas sim de quem fala e de onde fala. O preconceito lingüístico é decorrente do preconceito social, e assim como com classes sociais, existe também o preconceito contra a fala característica de algumas regiões. Isso sim eu considero como um atraso mental.
Semana passada me perguntaram:_Porque os mais velhos falam errado?
Os nossos avós na maioria das vezes acabam pagando por isso, pois não tiveram a instrução linguística que nós tivemos, eles estavam preocupados em trabalhar e trabalhar para nos garantirem um futuro melhor, e naquela época nem todos podiam fazer faculdade, hoje qualquer um faz é só querer.
E tem os que escrevem errado, mas essa é outra postagem que farei.
Porém acho que se voce entendeu o que os outros falaram, não importando se falaram errado, basta, afinal você entendeu. não é "memo"?

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